Espaço Ameríndio

 Por  Higino Tenório Tuyuka

Líder e professor

 

No ano de 1500 foi descoberto o Brasil, pelo português chamado Pedro Alvares Cabral, diz a história oficial brasileira. Quando os portugueses chegaram a esta terra claro que, viram o povo indígena habitando nela, também já sabiam que eles viviam há muito tempo antes da chegada deles. Não havia só um povo, mas, vários povos, cada um com suas diferenças e peculiaridades, nas línguas, nos saberes, etc, ainda mais, tinham seus próprios territórios ancestrais.  Quando os portugueses chegaram nesta terra, sem dúvida nenhuma, com toda certeza, sabiam que, os povos indígenas eram os donos e senhores destas terras. No entanto, sem levar essa consideração sobre o direito da posse imemorial de seus territórios, sem nenhum respeito com truculência  tomaram os territórios indígenas, em nome do rei de Portugal e em nome do mercantilismo colonial português, batizando  TERRA DE SANTA CRUZ, o qual foi o registro de nascimento do atual Brasil   A partir desse registro  de batismo que é de “encobrimento”  começa o período da violações truculentas de  todos nossos direitos, principalmente perda de direitos originários de posses dos territórios que  ocupávamos  como heranças de nossos ancestrais, durante 12 mil anos, antes  da Era Cristã. Os nossos direitos se tornaram encobridos, o encobrimento e a intolerância discriminatória passiva permanecem, até hoje nas camadas sociais brasileiras. No dia do achamento do Brasil, praticamente passamos ser vassalos do rei de Portugal, e o rei  tornou-se senhor e soberano destas terras. Então, por isso os portugueses tinham os direitos de explorar e saquear os recursos naturais podiam escravizar os indígenas como mão de obra barata.  A ideologia do descobrimento do Brasil está claramente veiculada com o tom retumbante de eufemismo, nas escolas de ensinos fundamentais, nos ensinos médios e nas universidades, porque, os materiais didáticos ofertados às crianças brasileiras os conteúdos continuam encobrindo a lógica de dominação e colonização.

Em função desse equívoco cometido pelo branco, a maioria dos brasileiros ignoram os direitos indígenas.  Qualificam “índio genérico” quer dizer, negam diversidades étnicas, diversidades linguísticas, diversidades culturais dos povos indígenas do Brasil. A situação jurídica atual não está nada favorável para garantir e assegurar os direitos indígenas fundamentais conforme reza a Carta Magna do país, sobretudo em relação a terra, cultura,  educação e saúde. Os deputados e senadores da bancada ruralista e da bancada das igrejas evangélicas e anti- indígenas ameaçam os direitos indígenas  eles alegam que, os povos indígenas estão impedindo o progresso e a geração de riqueza para nação. O preconceito contra os indígenas na sociedade brasileira está presente em toda parte, na escola, no discurso dos políticos, nas igrejas religiosas, nos veículos de comunicação.