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A convite do professor Wolfgang Kapfhammer do Instituto de Antropologia Cultural da Ludwig-Maximilians Universidade de Munique, o Neai participou pela segunda vez de disciplina com apresentações de seminários conduzidos pelo referido professor. Realizado ao longo do primeiro semestre deste ano de 2017, as atividades foram realizadas em colaboração com o professor Carlos Machado Dias Jr, do PPGAS Ufam e do Neai.

A primeira edição desta colaboração, com a participação de pesquisadores do Neai na disciplina tratou da temática abordada pelo dossiê “Favela Amazônia” publicada pelo jornal O Estado de São Paulo ao longo do ano de 2016. Nessa primeira edição, a disciplina contou com participações semanais de pesquisadores do Neai, entre os quais alunos indígena que versaram sobre questões relativas à presença indígena na cidade.

Já na segunda edição, as atividades buscaram debater outras vertentes da presença indígena nas cidades. Embora as matérias do Jornal O Estado de São Paulo publicadas no “Favela Amazônia” versem sobre uma realidade inegável, esta segunda versão da disciplina em Munique buscou abordar o que está para além da marginalização a que os indígenas são submetidos em sua busca por trajetórias nas cidades.

Participaram das atividades com palestras para os alunos de Munique, ao longo dessa edição, indígenas como Alexandre Waiwai, Mariazinha Baré, João Paulo Tukano e seu tio, o Kumu Mandu Tukano. Estes últimos, por exemplo, versaram sobre práticas de cura e processos de saúde-doença dos povos Tukano do Alto Rio Negro, com destaque para sua realização e existência nos contextos urbanos, como os requisitados benzimentos. Neste contexto, foi abordado também a inauguração do Centro de Medicina Indígena - Bahserikow´i -, por iniciativa de João Paualo, seus parentes e aliados gestores da COIAB e do Neai.

Ainda por ocasião dessa segunda participação reuniram-se na sede do Neai, no dia 12 de julho, o neo-xamã Bu´ú Kennedy Tukano e o padre e doutorando em antropologia social pelo PPGAS Ufam e membro do Neai Justino Sarmento Rezende Tuyuka, para um debate sobre suas trajetórias e sobre a "indigenização da modernidade". O diálogo foi interativo e, como os demais, conectado por videoconferência à turma do professor Kapfhammer, em Munique.

As turmas brasileira e alemã tiveram oportunidade de fazer perguntas aos dois em uma roda de conversas - que foi registrada para documentação do Neai. Caso desejem acessar o íntegro teor das filmagens, pode-se acionar a Coordenação do Neai que avaliará as possibilidades para disponibilização mediante consentimento dos envolvidos.

Para que se conheça um pouco do teor do diálogo, há um pequeno vídeo de pouco mais de dois minutos na página do Neai no Facebook, e que em breve estará na conta do Núcleo do YouTube.