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É com alegria que convidamos a todos para a retomada de nossas atividades. O próximo seminário acontecerá no dia 14 de agosto, às 14h, na sala 12 do NEAI. Nosso convidado e querido amigo é o José Cândido, doutorando em Antropologia Social pela Universidade de Campinas, que nos brindará com o seguinte tema:

Quem participa do manejo de pirarucus?

As várzeas amazônicas constituem ecossistemas que abrigam grande diversidade de vida. Comunidades animais, vegetais e comunidades humanas compartilham esse ambiente. Na história mais recente da região do médio Solimões, podemos observar a criação de estratégias de conservação das espécies animais e vegetais que habitam a várzea. Esse movimento surge em resposta à grande exploração de recursos naturais, principalmente de pescado e madeira. A conservação da várzea só pôde ser efetivada a partir do momento em que comunidades ribeirinhas se tornaram participantes ativas. As figuras do mateiro e do auxiliar de campo compõem o retrato da pesquisa na floresta. Suas habilidades como conhecedores da floresta advêm de seu engajamento nesse ambiente para caçar, pescar, cultivar roças, tirar madeira. É um conhecimento que é desenvolvido na vida cotidiana. Diferentemente, pesquisadores trazem consigo conhecimentos e técnicas oriundas da educação formal, que consideram orientações metodológicas específicas para realização de suas experiências. O manejo de pirarucus, realizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá há mais de 15 anos, marca o capítulo mais recente da história ribeirinha na região e da pesquisa e intervenção de cientistas e ambientalistas. Apresento linhas gerais de uma pesquisa em curso que tem por objetivo compreender como acontecem interações entre os diferentes conhecimentos e práticas envolvidos nas atividades de conservação da natureza. O ponto de partida é uma etnografia do manejo participativo de pirarucus, na RDS Mamirauá, na região do médio Solimões.